{"id":8458,"date":"2025-12-27T00:00:00","date_gmt":"2025-12-27T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/old.fredlopes.com.br\/2025\/12\/27\/zero\/"},"modified":"2025-12-27T00:00:00","modified_gmt":"2025-12-27T04:00:00","slug":"zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/2025\/12\/27\/zero\/","title":{"rendered":"Zero"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"244\" height=\"157\" src=\"https:\/\/fredlopes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Khmer_Numerals_-_605_from_the_Sambor_inscriptions.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8077\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O n\u00famero 605 com caracteres Khmer (Camboja, c. 683)<br>Fonte: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Khmer_Numerals_-_605_from_the_Sambor_inscriptions.jpg\">Wikimedia Commons<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">Disputas hist\u00f3ricas raramente s\u00e3o definitivas. At\u00e9 que novos documentos ou vest\u00edgios sejam descobertos e novas interpreta\u00e7\u00f5es sejam propostas, a hist\u00f3ria oficial se mant\u00e9m em uma esp\u00e9cie de limbo narrativo, aguardando ser reescrita por jovens historiadores em busca de um lugar ao sol. Com a hist\u00f3ria do zero n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 discut\u00edvel se os <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/fredlopes.com.br\/o-papiro-de-rhind\/\" target=\"_blank\">matem\u00e1ticos do Egito<\/a> e da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/fredlopes.com.br\/plimpton-322\/\" target=\"_blank\">Mesopot\u00e2mia<\/a> conheciam o conceito de zero, mas certamente n\u00e3o possu\u00edam um s\u00edmbolo para represent\u00e1-lo. No Egito, construtores marcavam o n\u00edvel do solo, o n\u00edvel zero, com um s\u00edmbolo, mas esse s\u00edmbolo n\u00e3o era usado em seu sistema de numera\u00e7\u00e3o. Os astr\u00f4nomos da Mesopot\u00e2mia deixavam espa\u00e7os no meio dos n\u00fameros para indicar o zero, o que, obviamente, gerava um enorme problema de leitura. Como saber, por exemplo, se o n\u00famero 2   1 era 21, 201 ou 2001? Al\u00e9m disso, um simples n\u00famero como 3 poderia indica 3, 30, 300 ou mais, pois nunca sabemos quantos espa\u00e7os \u00e0 direita o escriba teve a inten\u00e7\u00e3o de deixar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo esse problema aparece quando usamos a <em>nota\u00e7\u00e3o posicional<\/em> para registrar n\u00fameros, ou seja, quando um mesmo algarismo tem valor diferente dependendo da posi\u00e7\u00e3o que ocupa. O n\u00famero 55 \u00e9 feito por dois algarismos iguais, mas o da esquerda vale dez vezes mais do que o da direita. A <em>numera\u00e7\u00e3o romana<\/em> que usamos ainda hoje n\u00e3o \u00e9 estritamente posicional, e este \u00e9 apenas um dos sistemas criados na hist\u00f3ria em que a posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o desempenha papel fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas no s\u00e9culo passado, historiadores europeus voltaram seus olhos para as contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de povos distantes da bacia mediterr\u00e2nea, como indianos, chineses e maias. E o interessante \u00e9 que foram exatamente esses os primeiros a reconhecer a utilidade de um s\u00edmbolo para o zero em suas nota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por volta de 665, os maias j\u00e1 tinham um s\u00edmbolo para o zero. Mas, por raz\u00f5es \u00f3bvias, isso n\u00e3o influenciou em nada ci\u00eancia do Velho Mundo. Coube aos indianos realizar o feito de reinventar e difundir um s\u00edmbolo para o zero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O zero j\u00e1 era comum na matem\u00e1tica indiana por volta do ano 650, uma \u00e9poca de ouro para as ci\u00eancias naquela regi\u00e3o. Tr\u00eas matem\u00e1ticos se destacavam: Brahmagupta (c. 598 &#8211; c. 668), Bhaskara (c. 600 &#8211; c. 680), conhecido por sua c\u00e9lebre forma, e Mahavira (c. 800 &#8211; c. 870), j\u00e1 de uma gera\u00e7\u00e3o posterior. Todos os tr\u00eas usavam o zero em opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Brahmagupta afirmava, por exemplo, que um n\u00famero subtra\u00eddo dele mesmo resultava em zero, e que qualquer n\u00famero multiplicado por zero \u00e9 zero. Isso nos parece demasiadamente \u00f3bvio hoje, mas foi um grande feito para a \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levado ao Ocidente pelos \u00e1rabes, o s\u00edmbolo para o zero dos matem\u00e1ticos indianos era como o nosso, apenas menor e elevado na linha de escrita. Foi apenas em 1202, com o <em>Liber Abaci<\/em> (O livro do \u00e1baco) de Leonardo de Pisa (c. 1170 &#8211; c. 1240\/1250), que os <em>algarismos indo-ar\u00e1bicos<\/em> fizeram sua entrada definitiva na ci\u00eancia ocidental, desbancando as terr\u00edveis dificuldades das opera\u00e7\u00f5es com os n\u00fameros romanos ou com as pedrinhas usadas nos <em>\u00e1bacos medievais<\/em> da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>O zero \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 na aritm\u00e9tica, mas tamb\u00e9m na \u00e1lgebra. Voc\u00ea consegue imaginar outras utilidades para ele al\u00e9m daquelas descritas aqui?<\/li>\n\n\n\n<li>Existem diversos sistemas de numera\u00e7\u00e3o no mundo, tanto hist\u00f3ricos quanto modernos, com diversas <em>bases<\/em>. O nosso, de base 10, possui 10 s\u00edmbolos distintos. Outro, muito usado na moderna computa\u00e7\u00e3o, usa a base <em>hexadecimal, <\/em>com todos os conhecidos 10 algarismos indo-ar\u00e1bicos mais as letras A, B, C, D, E e F. Pesquise por que foram criados e responda: seria conveniente introduzir esse sistema nas escolas b\u00e1sicas para melhor adaptar os alunos ao universo da moderna computa\u00e7\u00e3o?<\/li>\n\n\n\n<li>Tente somar os n\u00fameros romanos CCXXIX com DXLVIII, sem convert\u00ea-los para decimais, e diga se isso tornou seu dia mais feliz.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que tal pesquisar mais um pouco sobre:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nota%C3%A7%C3%A3o_posicional\">nota\u00e7\u00e3o posicional<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/%C3%81baco\">\u00e1baco<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Algarismos_ar%C3%A1bicos\">algarismos indo-ar\u00e1bicos<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sistema_de_numera%C3%A7%C3%A3o_hexadecimal\">numera\u00e7\u00e3o hexadecimal<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disputas hist\u00f3ricas raramente s\u00e3o definitivas. At\u00e9 que novos documentos ou vest\u00edgios sejam descobertos e novas interpreta\u00e7\u00f5es sejam propostas, a hist\u00f3ria oficial se mant\u00e9m em uma esp\u00e9cie de limbo narrativo, aguardando ser reescrita por jovens historiadores em busca de um lugar ao sol. Com a hist\u00f3ria do zero n\u00e3o \u00e9 diferente. \u00c9 discut\u00edvel se os matem\u00e1ticos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[128,58],"tags":[256,297,372],"class_list":["post-8458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-matematica","category-matematica","tag-historia-da-matematica","tag-matematica-indiana","tag-zero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/backup.fredlopes.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}